O inquérito da Polícia Civil do Piauí que indiciou o prefeito de Pio IX, Silas Noronha (PSD), aponta indícios de desvio de recursos públicos para financiar um suposto esquema de exploração sexual de adolescentes. Além do gestor, também foram indiciados o ex-servidor da Prefeitura Francisco Liedson e Samuel Noronha, sobrinho do prefeito.

A investigação resultou no indiciamento de Silas Noronha pelos crimes de favorecimento à prostituição ou outra forma de exploração sexual de crianças e adolescentes, ameaça e peculato. O inquérito reúne depoimentos de quatro adolescentes, considerados “chocantes” pelos investigadores.
As conclusões da investigação foram detalhadas nesta segunda-feira (20) pelo delegado-geral da Polícia Civil do Piauí, Luccy Keiko. Segundo ele, o relatório elaborado pela Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA) identificou movimentações financeiras consideradas incompatíveis envolvendo uma empresa fornecedora de combustíveis do município.
De acordo com o delegado, somente uma empresa do setor teria movimentado mais de R$ 5 milhões de forma considerada atípica, conforme apontamentos do Tribunal de Contas do Estado (TCE-PI). O material será encaminhado à Delegacia de Combate à Corrupção (Decor), que aprofundará as investigações sobre possíveis desvios de recursos públicos.
Segundo Luccy Keiko, as investigações identificaram indícios de que pessoas eram utilizadas como “laranjas” para receber recursos da Prefeitura e realizar transferências via PIX destinadas ao pagamento das adolescentes.
“A investigação evoluiu justamente nesse sentido. Utilizavam-se laranjas para receber dinheiro público e se fazia PIX por meio de laranjas”, afirmou o delegado.
Depoimentos considerados determinantes
Conforme a Polícia Civil, quatro adolescentes prestaram depoimento durante a investigação e relataram como teriam sido aliciadas, além dos valores que afirmam ter recebido. Para Luccy Keiko, os relatos foram fundamentais para o indiciamento dos investigados.
“O indiciamento foi muito robusto, um inquérito com provas contundentes que realmente não deixam dúvidas sobre a autoria desses crimes contra a dignidade sexual de adolescentes”, declarou.
O delegado afirmou ainda que alguns depoimentos causaram forte impacto na equipe responsável pela investigação, citando o relato de uma adolescente que teria desistido de seguir para um dos encontros durante o trajeto entre Pio IX e Fronteiras.
Prisão e medidas cautelares
Durante as investigações, a Polícia Civil representou pela prisão temporária e pelo afastamento do prefeito, alegando necessidade de preservar a produção de provas e evitar interferências no processo.
Silas Noronha e Samuel Noronha foram presos temporariamente em abril deste ano, mas posteriormente obtiveram liberdade por decisão da Justiça. O prefeito retornou ao cargo, porém permanece submetido a medidas cautelares, entre elas a proibição de manter contato com testemunhas.
A Polícia Civil informou que novas denúncias poderão resultar na instauração de outros inquéritos, caso novas vítimas procurem a Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente.
Caso segue para o Ministério Público
As investigações tiveram início após denúncias apresentadas pelo ex-servidor da Prefeitura Francisco Liedson, que afirmou à Polícia Civil ter sido contratado para aliciar adolescentes para o prefeito mediante pagamento mensal.
Segundo a investigação, Liedson e Samuel Noronha teriam participado do aliciamento de adolescentes de 13 e 14 anos.
Com a conclusão do inquérito, o procedimento será encaminhado ao Ministério Público do Estado do Piauí (MPPI), que decidirá se oferece denúncia à Justiça, solicita novas diligências ou requer o arquivamento do caso.
Procurada, a defesa de Silas Noronha informou que não irá se manifestar sobre o indiciamento neste momento. A reportagem também buscou contato com as defesas de Francisco Liedson e Samuel Noronha. O espaço permanece aberto para manifestações.
Fonte: Cidade Verde





















